- Homey Pro subiu de US$ 399 para US$ 449 em 1º de junho de 2026.
- Homey Pro mini passou de US$ 199 para US$ 249; na Europa, os preços foram para €449 e €279.
- A Athom atribui a alta a custos maiores de RAM, eMMC e componentes fornecidos pela Raspberry Pi.
- Para compradores brasileiros, câmbio, imposto e frete ampliam o efeito do reajuste.
US$ 50 a mais. Esse é o tamanho do reajuste aplicado ao Homey Pro em 1º de junho de 2026: o hub passou de US$ 399 para US$ 449. O Homey Pro mini também subiu US$ 50, de US$ 199 para US$ 249. Na Europa, os novos preços ficaram em €449 para o modelo completo e €279 para o mini. A Athom, empresa responsável pela plataforma, diz que a alta veio do encarecimento de RAM, armazenamento e componentes centrais fornecidos pela Raspberry Pi.
O número parece pequeno para quem olha apenas a etiqueta em dólar, mas cresce quando atravessa a fronteira brasileira. Frete internacional, imposto de importação, ICMS, spread cambial e margem do revendedor incidem sobre uma base maior. Em uma compra direta, US$ 50 podem virar algumas centenas de reais no custo final. Em revenda nacional, o aumento tende a aparecer com atraso, conforme estoques antigos acabam e novas unidades entram com o preço atualizado.
A empresa optou por explicar o reajuste antes da mudança. Em comunicado publicado em maio, afirmou que os custos de RAM e eMMC aumentaram com força e que a Raspberry Pi, fornecedora de um componente central do Homey Pro, repassou esse movimento. A Athom também alertou que outra elevação poderia afetar a produção mais adiante. A justificativa é específica, mas não elimina a pergunta que interessa ao comprador: o hub entrega valor suficiente a US$ 449?
O Homey Pro continua sendo um hub raro pelo número de rádios#
O modelo completo reúne Wi‑Fi, Ethernet por adaptador, Zigbee, Thread, Matter, Z‑Wave, Bluetooth LE, 433 MHz e infravermelho. Poucos hubs de consumo tentam cobrir tantos protocolos em uma única caixa. A proposta é centralizar dispositivos de mais de mil marcas, executar automações localmente e usar o sistema Flow para combinar eventos entre tecnologias que normalmente vivem separadas.
Esse pacote explica parte do preço. Um usuário de Home Assistant pode montar uma instalação com mini PC, dongle Zigbee, adaptador Z‑Wave, emissor infravermelho e software gratuito, mas precisa escolher hardware, manter integrações e resolver incompatibilidades. O Homey vende conveniência e uma camada unificada. A comparação não é entre um hub de US$ 449 e um software sem custo; é entre duas formas diferentes de pagar pela complexidade.
O problema é que a diferença aumentou. Com o reajuste, o Homey Pro se aproxima de equipamentos profissionais de entrada e se distancia de hubs simples de SmartThings, Aqara e plataformas baseadas em Matter. Para quem usa apenas Zigbee e Wi‑Fi, boa parte dos rádios fica ociosa. O produto faz mais sentido em casas que realmente misturam protocolos legados, dispositivos locais e dezenas de automações.
A alta do mini muda a porta de entrada#
O Homey Pro mini foi criado para reduzir o custo de entrada. Ele usa processador ARM de quatro núcleos a 1,5 GHz, 1 GB de RAM e 8 GB de armazenamento, com Ethernet, Zigbee, Thread e Matter. Z‑Wave, Bluetooth LE, 433 MHz e infravermelho exigem Homey Bridge. Antes do reajuste, US$ 199 colocavam o modelo perto de outros hubs premium. A US$ 249, a escolha exige mais contas.
A própria Athom estima capacidade próxima de 20 apps para o mini, contra mais de 100 apps no Homey Pro 2026 com 4 GB de RAM. O número de apps não equivale ao número de dispositivos; cada integração pode controlar dezenas de equipamentos. Ainda assim, mostra o posicionamento. O mini atende instalações menores e mais concentradas em protocolos modernos. O Pro mira casas complexas e usuários que acumulam integrações.
A diferença de US$ 200 entre os dois modelos permanece. O comprador precisa decidir se os rádios extras, a memória maior e a folga para apps justificam esse salto. No Brasil, essa distância pode superar R$ 1.500 depois de impostos e margens. Para uma instalação pequena, é dinheiro suficiente para comprar sensores, módulos e um nobreak. Para uma casa grande com Z‑Wave, 433 MHz e infravermelho, comprar acessórios separados também custa.
O reajuste ocorre sem mudança imediata de hardware#
O aumento de junho não trouxe um novo processador, rádio ou recurso exclusivo. É uma correção de preço sobre os modelos atuais. Isso torna a notícia menos agradável para o consumidor: paga-se mais pelo mesmo produto. A Athom sustenta que a cadeia de componentes mudou e que manter o preço antigo deixaria de ser viável. Não há como verificar toda a estrutura de custos da empresa, mas o encarecimento de memória e armazenamento atingiu vários fabricantes de eletrônicos em 2026.
A transparência do comunicado conta a favor. Muitas marcas alteram preço silenciosamente ou lançam uma revisão com diferenças mínimas para justificar a nova etiqueta. A Athom publicou valores, data e motivo. Ainda assim, transparência não transforma reajuste em benefício. O consumidor deve comparar o custo total da plataforma, incluindo eventuais Bridges, adaptadores, frete, impostos e disponibilidade de suporte.
Também pesa o fato de o Homey não ter distribuição ampla no Brasil. A compra costuma depender de importação direta ou revendedores especializados. Garantia, prazo de reposição e compatibilidade regional do Z‑Wave merecem atenção. O rádio Z‑Wave trabalha em frequências diferentes conforme a região; importar a versão errada pode limitar a integração com dispositivos locais.
Suporte até 2031 reduz o risco de obsolescência precoce#
A Athom afirma que Homey Pro 2023 e Homey Pro 2026 receberão suporte oficial pelo menos até junho de 2031. Os dois são tratados como a mesma geração para recursos de software. Essa política ajuda a diluir o preço ao longo do tempo. Um hub de US$ 449 usado por cinco anos custa cerca de US$ 90 por ano antes de impostos. A conta não torna o produto barato, mas permite comparar com serviços por assinatura e trocas frequentes de hardware.
O processamento local também reduz dependência da nuvem para automações básicas. Funções remotas e loja de apps continuam conectadas, mas a lógica principal pode rodar no hub. Em um mercado onde plataformas encerram serviços e deixam dispositivos órfãos, a longevidade do software importa tanto quanto o número de rádios. O compromisso público até 2031 é um dado positivo, desde que a empresa cumpra o calendário.
Quem já possui um Homey Pro 2023 não ganha motivo para trocar por causa do reajuste. O hardware continua suportado e compartilha o caminho de software com a versão 2026. A nova unidade com 4 GB de RAM interessa a instalações que esbarram no limite de apps ou planejam crescimento grande. Para a maioria dos usuários atuais, manter o hub e investir em dispositivos entrega retorno maior.
A decisão no Brasil ficou mais sensível ao câmbio#
Antes de importar, o comprador deve simular o preço final, não converter apenas US$ 449 em reais. Inclua frete, tributos, IOF, spread do cartão e possível taxa de despacho. Compare o resultado com um servidor Home Assistant completo, hubs de marcas específicas e soluções de integradores locais. A melhor escolha depende do número de protocolos usados e do quanto o usuário valoriza uma interface unificada.
O Homey Pro continua único ao combinar tantos rádios com uma experiência pronta. Só que a margem para compra por impulso desapareceu. A US$ 449, o produto precisa resolver uma casa complexa de verdade. Em instalações simples, o dinheiro extra compra mais automação quando vai para sensores, módulos e infraestrutura.
Para quem já estava decidido, o reajuste não altera a arquitetura do sistema. Para quem ainda compara plataformas, muda o ponto de equilíbrio. O Homey precisa ser avaliado como central completa e de longo prazo, não como hub barato. Essa é a consequência concreta do novo preço.
Quem já tem Homey Pro pode seguir sem pressa: o suporte prometido até 2031 e a paridade de software preservam o investimento. O aumento pesa principalmente na próxima compra.
