Elétrica

Relé Temporizador

A IEC 61812-1 estabelece requisitos para relés temporizadores de tempo especificado usados em circuitos de comando. Desde os temporizadores pneumáticos e térmicos do século XX, a tecnologia evoluiu para módulos eletrônicos multifunção com faixas de milissegundos a horas. Comparado a um timer de software, o relé opera localmente no painel e mantém função sem rede. A limitação é a precisão e a memória: tolerância, deriva, reset e comportamento após falta de energia variam por modelo.


Definição Técnica

A IEC 61812-1 define características de relés temporizadores de tempo especificado para aplicações industriais e residenciais. Esses dispositivos recebem alimentação ou sinal de comando e alteram um ou mais contatos segundo uma função temporal. As primeiras soluções usavam mecanismos pneumáticos, térmicos ou motores síncronos. A eletrônica permitiu faixas amplas, múltiplas funções e melhor repetibilidade em módulos compactos de trilho DIN. Funções comuns incluem atraso na energização, atraso na desenergização, pulso, intervalo, pisca cíclico, estrela-triângulo, watchdog e atraso por sinal. A seleção precisa combinar tensão de alimentação, entradas, contatos, faixa, precisão, repetibilidade, tempo mínimo de pulso, reset e comportamento em falta de energia. Um temporizador de 0,1 s a 100 h pode usar seletores de escala e ajuste percentual. A precisão absoluta pode ser 1–5% da escala, maior que a resolução indicada no dial. Em automação de bombas, ventiladores, iluminação e motores, o relé temporizador oferece lógica local independente do hub. Pode manter o exaustor por 5 min após apagar a luz, atrasar a partida de uma carga ou impedir reconexão imediata. A vantagem sobre software é a simplicidade e a falha previsível. A limitação é a menor flexibilidade e pouca observabilidade. Um relé não sabe feriados ou presença. O contato de saída também possui corrente e categoria; cargas de motor e LED podem exigir contator. A bobina e a entrada precisam de supressão e compatibilidade. O ajuste em painel deve ser protegido contra alteração indevida. Para funções de segurança, só se usa produto e arquitetura certificados; um relé temporizador comum não é relé de segurança.

A IEC 61812-1 cobre relés temporizadores de tempo especificado. Contatos e manobra devem ser coordenados com IEC 60947 e IEC 60669 conforme a aplicação. A instalação em quadros segue ABNT NBR 5410, tensão de comando e categorias de utilização.

🔧 Nota de Engenharia
A escala do potenciômetro não deve ser tratada como instrumento de precisão. O tempo real precisa ser medido na carga e nas condições de temperatura. Para cargas de potência, o contato deve comandar contator, não conduzir corrente acima da categoria.
Parâmetros Relacionados
Faixa temporal
1 ms a 100 h ou mais
Modelos monofunção cobrem faixas específicas; multifunção usam seletores. Uma faixa muito ampla reduz resolução do ajuste. Para 5 min, escolher escala próxima melhora. Relés digitais oferecem display. O tempo máximo pode depender da alimentação. A tolerância precisa ser verificada. Para dias ou calendários, relógio programador ou controlador é mais apropriado.
Precisão de temporização
±0,5% a ±10% da escala
A precisão depende de tecnologia. A repetibilidade pode ser melhor que o erro absoluto. Temperatura, tensão e ajuste influenciam. Um dial de 10 min com ±5% pode variar 30 s. Para ventilação, aceitável. Para sincronismo de processo, talvez não. O fabricante informa erro de ajuste e repetição separadamente. O ensaio usa cronômetro ou aquisição.
Contato de saída
5–16 A resistivos, tipicamente
A corrente nominal costuma referir-se a AC-1 ou carga resistiva. Motores, solenóides e LED reduzem. O contato pode ser SPDT ou DPDT. A tensão de isolamento e categoria precisam ser respeitadas. Para contator, a bobina é indutiva e usa supressor. Um relé de 16 A não deve chavear automaticamente 16 A de drivers LED sem tabela.
Tensão de alimentação
12–240 V AC/DC, conforme modelo
Modelos universais simplificam estoque, mas a entrada de comando pode ter referência própria. A tensão precisa ser estável. Em 24 V DC, a integração com CLP é segura. Em 230 V, a fiação exige proteção. Alguns temporizadores alimentam-se pelo mesmo sinal. Outros possuem entrada separada. O diagrama define. Erro de ligação pode danificar.
Pontos de Atenção em Automação
  • A
    Mantém funções temporais mesmo sem rede ou servidor
    Atrasos básicos podem ficar no painel. Se o hub reinicia, o relé continua. Isso aumenta disponibilidade para ventilação, bombas e proteção de reconexão. A lógica é limitada, mas previsível. O projeto deve decidir quais funções merecem hardware. Um atraso de compressor pode ser melhor local que numa automação de nuvem. O estado do relé pode ser monitorado por contato auxiliar, mas não precisa depender do monitoramento.
  • B
    Reduz correntes simultâneas por partida escalonada
    Várias fontes, motores ou compressores podem ser ligados com atrasos diferentes. Isso reduz pico e queda de tensão. Cada temporizador inicia uma carga ou contator. O escalonamento precisa considerar processo e retorno de energia. Se o tempo é muito curto, o benefício desaparece. Se longo, serviço demora. O relé deve resetar corretamente. A automação pode coordenar em software, mas o hardware garante sequência básica.
  • C
    Implementa pós-ventilação e pulsos simples
    Exaustores podem permanecer 5–15 min após o banheiro. Fechaduras e solenóides podem receber pulso de 0,5–2 s. O relé deve usar a função correta. Atraso off exige alimentação permanente em muitos modelos. Instalações sem neutro podem não suportar. Pulsos longos aquecem bobinas. O manual do atuador define. Um temporizador evita deixar carga ligada por erro humano.
  • D
    Exige definição do comportamento após falta de energia
    Alguns zeram, outros retomam, outros memorizam. Em atraso de partida, reiniciar o tempo é geralmente seguro. Em processo, pode ser inadequado. O produto precisa ser escolhido. A automação deve saber. Se o relé perde alimentação junto com a carga, uma função de atraso off pode não funcionar sem circuito apropriado. Testar em bancada e no painel evita surpresa.
Funções temporais
TON
Atraso na energização
A saída muda após o sinal permanecer ativo pelo tempo. Usado para partida escalonada e confirmação.
TOFF
Atraso na desenergização
Mantém a saída após retirar o comando. Pode exigir alimentação permanente. Usado em exaustão e iluminação.
Pulso
Intervalo temporizado
Gera saída por duração fixa a cada gatilho. Adequado a solenóides e sinalização, respeitando duty cycle.
Cíclico
Pisca ou alternância
Repete tempos on/off. Não deve ser usado para chaveamento rápido acima da vida dos contatos.
Normas de temporização
ReferênciaFaixa / NormaAplicação típica
IEC 61812-1Relés temporizadoresRequisitos, ensaios, precisão, marcação e desempenho.
IEC 60947-5-1Circuitos de comandoDispositivos de controle e contatos auxiliares.
ABNT NBR 5410Instalação BTQuadros, condutores, proteção e separação de circuitos.
IEC 60204-1MáquinasTemporizações em circuitos de comando e prevenção de partida inesperada.