Elétrica

Diodo Supressor de Transientes (TVS)

Quando uma linha de 5, 12, 24 ou 48 V está sujeita a ESD, comutação ou surtos rápidos, o diodo TVS limita a tensão ao entrar em avalanche acima de sua tensão de ruptura. Integra fontes, gateways, RS‑485, Ethernet e entradas de sensores; normas como IEC 61000-4-2 e -4-5 orientam os ensaios. A seleção exige VRWM, VBR, tensão de clamp e potência de pulso compatíveis. Um TVS não substitui DPS de quadro nem proteção contra sobrecorrente.


Definição Técnica

Quando uma linha de alimentação, comunicação ou sensor fica exposta a descarga eletrostática, comutação indutiva, EFT ou surto acoplado, o diodo supressor de transientes atua como um limitador semicondutor de resposta muito rápida. TVS é a sigla de Transient Voltage Suppressor. Em operação normal, o componente permanece com baixa corrente de fuga porque a tensão aplicada está abaixo da tensão máxima de trabalho reverso, VRWM. Quando o pulso eleva a tensão até a região de avalanche, a corrente cresce e é desviada para o retorno, limitando a tensão no nó protegido. Após o evento, o diodo retorna ao estado de bloqueio, desde que a energia e a temperatura não excedam seus limites. Há TVS unidirecionais, semelhantes a um Zener otimizado para pulsos, e bidirecionais, adequados a sinais alternados ou linhas diferenciais. Famílias como SMBJ, SMCJ, P6KE, SMAJ e arrays de baixa capacitância atendem potências e interfaces diferentes. Um SMBJ24A, por exemplo, não deve ser escolhido apenas porque o circuito é “24 V”. É necessário verificar VRWM, tensão de ruptura VBR, tensão de clamp VC na corrente de pulso especificada, corrente de pico IPP, forma de onda, tolerância e temperatura. Em uma fonte nominal de 24 V que chega a 28,8 V, um TVS com VRWM de 24 V pode conduzir indevidamente. Em entrada de 5 V, um TVS com clamp de 12 V pode não proteger um CI de máximo absoluto 6 V. A tensão de clamp real também depende da indutância da trilha e da corrente. O componente deve ficar fisicamente próximo do conector, com caminho curto e largo ao retorno ou chassi. Trilhas longas adicionam L·di/dt e elevam a tensão no CI. Em RS‑485, CAN, Ethernet e USB, a capacitância do TVS afeta a integridade do sinal. Arrays de baixa capacitância são escolhidos. Em bobinas, relés e solenóides DC, diodo flyback, TVS ou combinação define a velocidade de liberação. Um diodo simples limita perto de 0,7 V e desacelera; um TVS permite tensão maior e desmagnetização mais rápida, dentro do limite do driver. Em automação residencial, TVS protege entradas de 24 V, módulos Modbus, cabos externos, sensores e fontes. Ele complementa, mas não substitui DPS de painel, fusível, resistor, PTC, filtro e aterramento. Um surto de 8/20 µs de alta energia pode exigir MOV, GDT e coordenação em estágios. O TVS absorve a energia residual perto da eletrônica. Se o pulso excede a capacidade, pode falhar em curto ou aberto. O circuito deve prever fusível e diagnóstico. A interoperabilidade com ecossistemas como Modbus/RS‑485, PoE e Ethernet depende de proteger sem degradar o sinal ou violar a isolação.

IEC 61000-4-2 define ensaios de ESD; IEC 61000-4-4 trata de transientes elétricos rápidos; IEC 61000-4-5 trata de surtos. A série IEC 61643 cobre DPS de baixa tensão em níveis de instalação. O TVS é um componente e deve ser aplicado dentro de um projeto de imunidade e coordenação de energia.

🔧 Nota de Engenharia
O TVS precisa ser selecionado pela tensão máxima contínua e pela tensão máxima admitida no circuito, não pela tensão nominal impressa na fonte. O layout é parte do componente: trilhas longas podem tornar um TVS correto ineficaz.
Parâmetros Relacionados
VRWM
3,3 V a centenas de volts
A tensão máxima de trabalho reverso deve ser maior que a maior tensão contínua normal, incluindo tolerância, carregamento de bateria e falhas previstas. Em 24 V industriais, o barramento pode alcançar 30 V. O TVS precisa permanecer abaixo da corrente de fuga aceitável. Escolher VRWM alto demais aumenta clamp. O datasheet informa corrente de stand-off e temperatura. Em bidirecional, a especificação é simétrica.
Tensão de ruptura VBR
aprox. 1,1–1,4 × VRWM
VBR é medida numa corrente de teste pequena. Não é a tensão de clamp durante o surto. O circuito pode experimentar tensão maior. A tolerância precisa ser considerada. Para proteger um transceiver de 5 V, compara-se o máximo absoluto e a resistência em série. Um TVS de 6 V pode clamar acima de 10 V em corrente alta. O projeto usa curvas, não apenas a tabela.
Potência de pulso
200 W a 5 kW ou mais para 10/1000 µs
Famílias são nomeadas pela potência de pico em uma forma de onda de laboratório, como 600 W. Isso não é potência contínua. Pulsos 8/20 µs permitem correntes diferentes. A energia e a repetição importam. Um TVS de 600 W não dissipa 600 W por segundos. Sobretensão contínua causa falha. Fusível ou eFuse precisa cortar. O ambiente térmico reduz capacidade.
Capacitância de junção
< 0,2 pF a dezenas de nF
Arrays para USB, HDMI e Ethernet usam capacitância muito baixa; TVS de potência para DC pode ter milhares de pF. Em RS‑485 lento, dezenas de pF podem ser aceitáveis; em Gigabit Ethernet, não. O componente deve ser específico para a interface. A capacitância varia com tensão. O layout e o pacote também afetam. Um TVS de barramento de 24 V não deve ser colocado em par Ethernet.
Pontos de Atenção em Automação
  • A
    Limita a tensão residual perto do circuito sensível
    DPS no quadro reduz o surto principal, mas cabos e indutâncias deixam residual. O TVS junto ao conector faz a proteção fina. A coordenação em cascata distribui energia: GDT ou MOV para alta energia, TVS para clamp rápido. Distâncias e impedâncias ajudam. Instalar todos em paralelo sem coordenação pode sobrecarregar o TVS. A sequência precisa ser calculada. Em sensores externos, um resistor ou PTC limita corrente residual.
  • B
    Protege interfaces sem comprometer o protocolo
    RS‑485, CAN, KNX, Ethernet e USB possuem níveis e impedâncias. O TVS precisa de baixa capacitância e tensão compatível. Arrays dedicados protegem linha-linha e linha-terra. A referência de chassi e a isolação importam. Em RS‑485 isolado, o TVS pode ficar no lado do cabo e referenciar o terra funcional conforme projeto. Um erro pode anular a barreira. A comunicação é testada em baud rate máximo, comprimento e temperatura.
  • C
    Acelera a desenergização de bobinas quando usado corretamente
    Uma bobina de relé armazena energia. Diodo flyback simples mantém corrente por mais tempo. Um TVS de 33 V em bobina de 24 V permite tensão maior no desligamento e reduz o tempo, desde que o transistor suporte. Isso é útil em válvulas e contatores com resposta rápida. A energia 1/2·L·I² precisa caber no TVS e a repetição ser tolerada. A polaridade é correta. Em AC, usa-se snubber ou varistor, não um TVS unidirecional simples sem análise.
  • D
    Precisa de proteção contra falha por sobretensão sustentada
    TVS não é regulador. Se uma fonte de 48 V é aplicada por engano numa linha de 24 V, o componente pode conduzir até destruir. A falha pode ser em curto, aquecendo trilhas. Um fusível, PTC ou eFuse limita. O circuito pode usar crowbar com SCR. A automação monitora a fonte, mas o corte precisa ser local. Um TVS carbonizado indica investigar a causa, não apenas substituir. A coordenação determina segurança.
Tipos de TVS
Uni
TVS unidirecional
Otimizado para linhas DC com polaridade definida. Em reverso, entra em avalanche; em direto, comporta-se como diodo. Adequado a fontes e bobinas.
Bi
TVS bidirecional
Limita nos dois sentidos e é usado em sinais AC ou diferenciais. A tensão de clamp e a capacitância precisam ser verificadas.
Array
Proteção multicanal de baixa capacitância
Integra vários diodos para USB, Ethernet, HDMI e dados. O pinout e a capacitância são críticos.
Potência
TVS de alta energia
Pacotes SMB, SMC ou axiais absorvem pulsos maiores em barramentos. Ainda precisam de fusível, layout e coordenação com DPS.
Ensaios de imunidade
ReferênciaFaixa / NormaAplicação típica
IEC 61000-4-2Descarga eletrostáticaNíveis e formas de onda de ESD por contato e pelo ar.
IEC 61000-4-4EFT/burstTransientes rápidos acoplados a alimentação e sinais.
IEC 61000-4-5SurtoOndas combinadas, níveis e métodos de ensaio de imunidade.
IEC 61643DPS de instalaçãoCoordenação com dispositivos de proteção contra surtos em níveis superiores.