Elétrica

Fonte Linear

A regulação linear mantém a saída usando um elemento de passagem na região ativa, dissipando aproximadamente (Vin−Vout)×I em calor. Essa arquitetura, dominante em eletrônica até a expansão das fontes chaveadas nas décadas de 1970 e 1980, oferece baixo ripple e ruído simples de filtrar. O custo é massa, volume e eficiência. Uma fonte 12 V/1 A alimentada por 18 V pode dissipar cerca de 6 W no regulador, exigindo dissipador e limite térmico.


Definição Técnica

Fonte linear é um sistema de alimentação em que a tensão é reduzida ou convertida, retificada, filtrada e regulada por um elemento que dissipa continuamente a diferença entre entrada e saída. Em uma configuração clássica, um transformador de 50/60 Hz fornece baixa tensão AC; uma ponte de diodos retifica; capacitores armazenam energia; um transistor ou regulador integrado mantém a saída. Também existem reguladores lineares após uma fonte DC. A topologia é antiga, previsível e de baixo ruído. Durante décadas foi a solução dominante para áudio, instrumentação e eletrônica analógica. A expansão de fontes chaveadas a partir dos anos 1970 e 1980 reduziu seu uso em altas potências por eficiência e volume. Ainda é escolhida quando ruído, simplicidade e resposta analógica valem mais que massa e calor. Em automação residencial, pode alimentar pré-amplificadores, sensores de precisão, referências, interfaces analógicas e pequenos circuitos. Não é adequada por padrão para dezenas de ampères ou quadros compactos. A dissipação do regulador é aproximadamente a queda de tensão multiplicada pela corrente. Se entram 18 V DC e saem 12 V a 1 A, cerca de 6 W viram calor no regulador, além de perdas do transformador e diodos. O dissipador precisa manter a junção abaixo do limite. Proteção térmica não deve ser o modo normal. O capacitor de filtro é dimensionado pela corrente, frequência da rede e ripple. A tensão de entrada mínima precisa ficar acima do dropout mesmo no vale. Redes de 50 e 60 Hz produzem ripple de 100 ou 120 Hz após ponte. Reguladores LDO reduzem a diferença mínima, mas ainda dissipam calor. A fonte linear pode ter isolação pelo transformador, mas uma placa de regulador alimentada por adaptador não cria isolação adicional. O projeto precisa considerar fusível, aterramento, carcaça, ventilação e curto. A baixa emissão de alta frequência é vantagem, mas retificação e transformador ainda geram campos e harmônicos.

Fontes lineares completas com transformador e isolação se enquadram em normas de segurança aplicáveis da série IEC 61558 ou IEC 62368-1 conforme o equipamento. O projeto térmico, as distâncias de isolação, os fusíveis e a instalação seguem normas do produto e ABNT NBR 5410.

🔧 Nota de Engenharia
O dissipador pode atingir temperaturas elevadas mesmo com corrente dentro da placa. Reguladores, ponte e capacitor precisam de margem. Nunca substituir fonte chaveada por linear sem recalcular potência, dropout, ventilação e corrente de partida.
Parâmetros Relacionados
Dissipação do regulador
P ≈ (Vin − Vout) × I
Com 20 V na entrada, 12 V na saída e 2 A, o regulador dissipa cerca de 16 W. Isso exige grande dissipador e pode tornar a fonte impraticável. A tensão de entrada não é constante: varia com rede, carga e ripple. O pior caso de máxima rede produz mais calor. O pior caso de mínima rede precisa manter regulação. O projeto avalia ambos. Reguladores em paralelo exigem balanceamento.
Ripple após retificação
ΔV ≈ I/(f×C)
Para ponte em 60 Hz, f de ripple é 120 Hz. Com 1 A e 10.000 µF, a queda ideal entre picos é cerca de 0,83 V. ESR e condução alteram. Em 50 Hz, o ripple aumenta para a mesma capacitância. O capacitor precisa ter tensão, ripple current e temperatura adequados. Um capacitor envelhecido aumenta ripple e hum. A medição usa osciloscópio.
Dropout
0,1–3 V, conforme regulador
Reguladores clássicos como 7812 precisam de alguns volts de margem; LDOs modernos operam com menos. A margem precisa existir no vale do ripple e na tensão mínima da rede. Excesso vira calor. O critério de escolha combina dropout, ruído, corrente, estabilidade e capacitores. Um LDO pode oscilar com capacitor inadequado. O datasheet define ESR e layout.
Eficiência aproximada
Vout/Vin no estágio linear
Uma conversão de 18 V para 12 V tem máximo ideal de 66,7% no regulador. De 24 V para 5 V, cerca de 20,8%, inviável em potência alta. O transformador acrescenta perdas. A eficiência melhora com entrada próxima da saída, mas a margem de dropout precisa ser mantida. Em carga pequena, perdas em vazio podem dominar. A fonte chaveada é preferível quando energia e calor são críticos.
Pontos de Atenção em Automação
  • A
    Fornece ruído de alta frequência reduzido
    A ausência de chaveamento rápido simplifica alimentação de áudio e sensores analógicos. O ripple de baixa frequência pode ser filtrado. Reguladores de baixo ruído entregam microvolts em aplicações específicas. O layout e o aterramento continuam decisivos. Um transformador próximo a pré-amplificador induz hum. Cabos precisam ser roteados. Uma fonte linear mal montada pode ser mais ruidosa que uma chaveada de boa qualidade. A escolha deve ser medida na banda relevante.
  • B
    Torna o projeto térmico parte central da confiabilidade
    Calor reduz vida de capacitores e semicondutores. Dissipador, interface térmica, ventilação e temperatura ambiente são calculados. A resistência térmica total da junção ao ambiente determina. Um quadro a 50 °C possui margem menor. O termostato de proteção é último recurso. Sensores podem monitorar. A automação não deve religar uma fonte em proteção repetidamente. A consequência prática de subdimensionar é reset intermitente e envelhecimento acelerado.
  • C
    Oferece comportamento simples em bancada e instrumentação
    A resposta é previsível e a saída pode ter baixa interferência. Para sensores de ponte, ADCs e áudio, isso reduz esforço de filtragem. Em sistemas mistos, usa-se uma fonte chaveada para conversão principal e LDO local para estágios sensíveis, obtendo custo-benefício melhor. O LDO precisa dissipar apenas pequena diferença. Essa arquitetura é comum. O critério é não insistir em uma fonte linear grande quando um pós-regulador resolve.
  • D
    Exige transformador e proteção adequados quando ligada à rede
    O transformador de 50/60 Hz fornece isolação apenas se construído e certificado. O primário recebe fusível e seccionamento. O secundário também pode exigir proteção. A carcaça metálica é aterrada. Diodos precisam suportar corrente de pico e tensão reversa. Capacitores armazenam energia após desligar. Resistor bleeder reduz, mas não substitui verificação. Uma placa de hobby exposta não é produto final seguro em quadro residencial.
Arquiteturas lineares
Clássica
Transformador + regulador
Usa transformador 50/60 Hz, ponte, capacitor e regulador. Baixo ruído, porém pesada e quente em potência elevada.
LDO
Pós-regulação de baixa queda
Recebe DC já reduzida e limpa para sensor ou áudio. Oferece baixa queda, mas exige estabilidade e dissipação conforme datasheet.
Discreta
Transistor de passagem
Usa referência, amplificador de erro e transistor. Permite alta qualidade e personalização, mas aumenta projeto e proteção.
Híbrida
Chaveada + linear
A fonte chaveada faz a conversão eficiente e o regulador linear limpa o estágio sensível. Exige coordenação de tensões para limitar calor.
Segurança e projeto
ReferênciaFaixa / NormaAplicação típica
IEC 61558Transformadores e fontesSegurança de transformadores e unidades de alimentação em escopos aplicáveis.
IEC 62368-1Equipamentos eletrônicosSegurança de fontes em produtos de áudio, vídeo e TIC.
ABNT NBR 5410Instalação elétricaProteção, aterramento, condutores e montagem em instalações.
IEC 60085Isolação térmicaClasses térmicas e avaliação de materiais isolantes quando aplicável.