- Shelly lançou o BLU Door/Window ZB, sensor de abertura com Zigbee e Bluetooth 5.0.
- O produto combina reed magnético e G-sensor para detectar movimento com mais precisão.
- Além de aberto/fechado, o sensor mede luz ambiente e ângulo de inclinação.
- O preço anunciado na Europa é de £13,78 ou €17,84, sem preço brasileiro confirmado.
Dá para um sensor de porta ser menos burro? Essa é a pergunta por trás do Shelly BLU Door/Window ZB. O modelo novo não fica só no aberto ou fechado. Ele combina reed magnético, acelerômetro, luz ambiente e leitura de inclinação, além de trabalhar com Zigbee e Bluetooth 5.0. Para uma peça que custa £13,78 no lançamento europeu, a ficha é mais cheia do que o normal.
A comparação óbvia é com sensores Tuya e Aqara de contato simples, vendidos aos montes no Brasil. Eles fazem bem o básico: avisar que a porta abriu. O Shelly tenta ir um passo além, identificando movimento e inclinação, o que abre automações menos grosseiras. Janela só entreaberta, porta vibrando com vento, claridade suficiente para acender uma cena diferente. São detalhes pequenos até o dia em que a automação para de acender a luz errada às 6h da manhã.
O que o sensor da Shelly mede#
A especificação técnica que importa aqui é a combinação entre reed magnético e G-sensor. O reed detecta a separação entre as duas peças do sensor. O G-sensor percebe movimento, inclinação e vibração. Juntos, eles podem diferenciar uma abertura comum de uma mudança de posição mais sutil, algo que sensores magnéticos puros não enxergam.
A conectividade também é incomum para a faixa de preço. O Bluetooth 5.0 aparece com alcance citado de até 10 m em ambiente interno e cerca de 30 m externo. Já o Zigbee permite entrar em rede mesh, com repetidores espalhados pela casa para ampliar cobertura. Em apartamento com parede grossa, esse ponto pesa mais que a promessa de alcance em campo aberto.
Por que Zigbee ainda faz sentido no Brasil#
Sensor de porta em Wi‑Fi é tentador porque não pede hub, mas cobra a conta na bateria e no roteador. Dez sensores Wi‑Fi pendurados em rede 2,4 GHz já começam a disputar espaço com câmeras, tomadas e lâmpadas. Zigbee joga em outra lógica: pacotes pequenos, baixo consumo e malha própria. Para sensor de abertura, continua sendo a escolha mais sensata em instalação com vários pontos.
O Shelly BLU Door/Window ZB interessa justamente porque a marca conversa bem com usuários que gostam de integração local, Home Assistant e automações menos dependentes de nuvem. O Brasil já compra Shelly por importadores e lojas especializadas, mas o preço nacional do sensor ainda não apareceu. Esse é o pedaço que falta para medir custo-benefício de verdade.
A lacuna que ainda fica aberta#
O anúncio europeu cobre Reino Unido e Irlanda. Não há, até agora, confirmação de venda oficial no Brasil, homologação local ou compatibilidade detalhada com todos os coordenadores Zigbee usados em Home Assistant. Em tese, um sensor Zigbee deve entrar em redes abertas com Zigbee2MQTT ou ZHA, mas produto novo sempre precisa de conversor, assinatura ou teste comunitário antes de virar recomendação tranquila.
O que já dá para cravar é o movimento da categoria. Sensor de contato barato continuará vendendo. Só que o próximo salto não será câmera em toda janela; será sensor pequeno, com mais contexto, gastando pouco e falando com a casa sem acordar o roteador a cada evento.
Se chegar ao Brasil perto da faixa dos sensores Zigbee intermediários, o Shelly BLU Door/Window ZB vira candidato forte para portas externas, basculantes e janelas que não vivem apenas no binário aberto/fechado.
