O que você vai precisar
Passo a passo
1. Identifique se seu dispositivo mede W, kWh ou os dois
Abra a página do dispositivo no Home Assistant e veja as entidades disponíveis. Potência instantânea costuma vir como power, activepower ou consumo atual. Energia acumulada aparece como energy, totalconsumption, import ou similar.
Dica: Se houver só W, planeje criar uma integração de integral antes de tentar alimentar o Energy Dashboard.2. Confira unidade, device_class e state_class
Sensores de energia precisam ter unidade em Wh ou kWh e classe compatível com estatísticas de longo prazo. Sensores de potência ficam em W ou kW. Essa checagem evita buraco no histórico depois de uma semana de coleta.
Dica: Em template sensor novo, prefira a integração moderna de templates. Legacy template sensor é fonte de dor quando você precisa de state_class.3. Adicione o consumo ao Energy Dashboard
Entre em Configurações, Dashboards, Energia e selecione o sensor acumulado de consumo da rede. Se houver geração solar, adicione sensores separados para produção e exportação.
Dica: Não misture consumo líquido com consumo total se você tem solar. O gráfico fica bonito, mas esconde a energia que realmente passou pela casa.4. Crie leitura de tempo real em um dashboard próprio
Monte um painel com cartões de potência atual, consumo do dia, consumo mensal e custo estimado. O painel de tempo real é para decisão rápida; o Energy Dashboard fica para análise histórica.
Dica: Atualização a cada 5 a 15 segundos já basta para a maioria das cargas domésticas.5. Valide com uma carga conhecida
Ligue uma carga com potência previsível por 10 minutos e compare o salto no sensor instantâneo com a energia acumulada. Se a conta não fecha nem aproximadamente, corrija a origem antes de automatizar corte de carga.
Dica: Uma carga de 1.000 W ligada por 1 hora deve acumular perto de 1 kWh.
Watts, quilowatt-hora, custo por tarifa e um gráfico que muda enquanto a máquina de lavar entra em centrifugação. É isso que separa um painel de energia útil de uma tela cheia de números bonitos.
O caminho começa no medidor. Tomada inteligente com medição resolve cargas individuais, como geladeira, lava-louças ou rack de rede. Medidor DIN resolve o quadro inteiro, mas pede instalação elétrica feita com método. Sensor improvisado em tomada barata até mostra consumo instantâneo, só que costuma errar quando a carga é baixa ou indutiva.
Depois vem a distinção que mais derruba instalação: potência não é energia. Potência aparece em W e mostra o que está acontecendo agora. Energia aparece em kWh e mostra o acumulado. O Home Assistant até consegue transformar um sensor de W em kWh com a integração de integral, mas isso é aproximação. Quanto mais espaçadas forem as amostras, mais torto fica o resultado.
Na prática, eu começaria com três alvos. Primeiro, consumo total da casa. Segundo, geração solar, se houver inversor ou microinversor integrado. Terceiro, cargas vilãs: ar-condicionado, boiler, bomba, aquecedor, freezer ou carregador de carro elétrico. O resto entra depois.
O sensor certo precisa falar a unidade certa#
Abra Configurações, Dispositivos e Serviços, escolha a integração do medidor e confira as entidades criadas. Uma entidade de potência deve usar W ou kW. Uma entidade de energia acumulada deve usar Wh ou kWh. Para aparecer nas estatísticas de longo prazo e no Energy Dashboard, o sensor de energia precisa estar configurado como energia, com unidade compatível e comportamento acumulativo.
Configure o Energy Dashboard sem pressa#
Vá em Configurações, Dashboards, Energia. Em rede elétrica, selecione o sensor de consumo acumulado. Se a casa exporta energia, adicione também o sensor de retorno para a rede. Para tarifa fixa, informe o preço do kWh manualmente; para tarifa dinâmica, crie um sensor de preço separado e só conecte quando ele estiver confiável por pelo menos alguns dias.
Crie sensores auxiliares para leitura em tempo real#
O Energy Dashboard é ótimo para histórico, mas lento para diagnóstico de agora. Para uma tela de tempo real, crie cartões separados para potência instantânea, consumo do dia, consumo do mês e custo estimado. A combinação boa é simples: W para o ponteiro vivo, kWh para o acumulado e Utility Meter para virar dia, mês e ciclo de cobrança.
Teste com uma carga conhecida#
Ligue uma carga previsível, como um aquecedor de 1.500 W ou uma chaleira elétrica, por 10 minutos. O sensor instantâneo deve saltar perto da potência nominal. O acumulado deve subir cerca de 0,25 kWh em 10 minutos para uma carga de 1.500 W. Não precisa bater cravado; precisa fazer sentido.
Quando o painel começa a mostrar o pico do chuveiro, a queda quando o ar-condicionado desarma e o consumo fantasma de madrugada, a automação deixa de ser enfeite. Você passa a ter dado para cortar carga, avisar excesso e decidir horário de uso. Um ar-condicionado de 1.200 W ligado por 8 horas consome 9,6 kWh.


