- Projeto vai inspecionar 69 quilômetros de tubulações de grande diâmetro no sul do Recife.
- A meta é evitar a perda de 165 milhões de litros de água por ano.
- O sistema Nautilus circula dentro da tubulação em operação e usa IA para localizar vazamentos e bolsas de ar.
- A iniciativa reúne Amazon, Aganova, Compesa e Effico Saneamento.
Amazon e Aganova anunciaram um projeto para encontrar vazamentos ocultos em 69 quilômetros de tubulações no Recife sem interromper o abastecimento. A iniciativa, executada na rede da Compesa, combina um sensor acústico que percorre o interior dos tubos com análise de dados por inteligência artificial hospedada na AWS.
A meta declarada é reduzir perdas em 165 milhões de litros por ano. A própria Amazon traduziu o volume: equivale a 66 piscinas olímpicas. O projeto se concentra na bacia DPE4, no sul da capital pernambucana, onde tubulações de grande diâmetro representam uma parcela pequena da rede, mas concentram perdas relevantes.
Como o sensor acústico encontra água que ninguém vê#
O sistema Nautilus, desenvolvido pela Aganova, é inserido na tubulação enquanto ela permanece em operação. Durante o percurso, coleta assinaturas acústicas e outros dados. A plataforma analisa o material para localizar vazamentos e bolsas de ar que podem passar despercebidos por inspeções externas ou medições convencionais.
O ganho está na precisão do ponto de intervenção. Em vez de abrir vários trechos de rua procurando a origem da perda, a equipe recebe uma localização mais provável para confirmar em campo. Isso reduz escavações, tempo de diagnóstico e custo operacional. Também diminui o risco de deixar um vazamento invisível crescer por meses.
O projeto mostra o lado útil da IA em infraestrutura#
O ponto forte é concreto: sensor, dado e ação de manutenção estão ligados a uma meta mensurável. Não se trata de um chatbot colocado sobre um painel antigo. A IA entra para reconhecer padrões acústicos em uma rede física, tarefa que ganha valor quando a tubulação não pode ser desligada apenas para inspeção.
O ponto fraco é a falta de indicadores públicos de desempenho antes da execução. As empresas divulgaram a economia esperada, mas ainda não informaram taxa de acerto, número estimado de vazamentos, calendário detalhado de inspeção ou custo do projeto. A meta de 165 milhões de litros é uma projeção, não um resultado já alcançado.
O que isso tem a ver com automação de prédios e casas#
A escala é outra, mas o princípio é familiar a qualquer projeto de automação. Sensores de vazamento residenciais detectam água no piso; medidores inteligentes observam consumo anormal; válvulas motorizadas fecham a linha. O projeto do Recife trabalha antes da casa, na infraestrutura que abastece bairros inteiros, e mostra como detecção antecipada pode ser ligada a manutenção orientada por dados.
Para condomínios, a lição é especialmente próxima. Colunas, reservatórios e redes enterradas costumam produzir perdas difíceis de localizar. Soluções acústicas e telemetria ainda custam mais do que sensores pontuais, mas podem fazer sentido quando a área é grande e a interrupção do abastecimento é cara.
Vantagem ambiental depende da execução em campo#
Recife enfrenta pressão sobre recursos hídricos e perdas de distribuição. A economia prevista reduziria a necessidade de captar e tratar água que nunca chega ao consumidor. A Amazon afirma ter mais de 50 projetos hídricos no mundo e cita uma iniciativa anterior com a Sabesp, em 2025, cuja meta era evitar 210 milhões de litros por ano.
A ressalva permanece: o projeto pernambucano começou com uma meta, não com um balanço. Os resultados dependerão de quantos vazamentos forem encontrados, da rapidez do reparo e da manutenção posterior. As empresas não divulgaram valor do contrato nem data para concluir os 69 quilômetros de inspeção.
