Sensor de Presença por Matriz Térmica
A IEC 80601 não define o uso doméstico desse sensor, mas a física é radiométrica: uma matriz FIR mede radiação térmica de 7,5–14 µm e gera dezenas ou centenas de temperaturas aparentes. Desde matrizes 8×8 até módulos como Melexis MLX90640 de 32×24 pixels, a tecnologia permite presença sem câmera RGB. A consequência prática é maior privacidade. A limitação é que emissividade, sol, aquecimento, correntes de ar, campo de visão e oclusão alteram a detecção; não é termografia clínica.
Matrizes térmicas surgiram como uma evolução entre o sensor PIR de poucos elementos e a câmera térmica de alta resolução. Em vez de produzir apenas um pulso quando uma fonte quente cruza zonas ópticas, o sensor mede a radiação infravermelha de múltiplas regiões do campo de visão. Cada pixel estima uma temperatura aparente. Matrizes 8×8, 16×12 e 32×24 são comuns em automação. O Melexis MLX90640, por exemplo, possui 32×24 pixels, total de 768 elementos, interface I²C e calibração de fábrica; mede objetos em ampla faixa, conforme o modelo. A Panasonic Grid‑EYE usa 8×8 pixels. O resultado é uma imagem térmica de baixa resolução. Ela não mostra rosto nem cor visível, mas permite detectar uma pessoa sentada, contar regiões quentes, localizar ocupação e estimar direção. Em casa inteligente, o sensor pode manter luzes acesas mesmo sem movimento amplo, controlar climatização por ocupação, detectar queda, monitorar fogão, identificar aquecimento anormal e preservar privacidade em quartos. Comparado ao PIR, oferece informação espacial e presença estática melhor, embora uma pessoa parada em equilíbrio térmico e parcialmente coberta ainda possa ser difícil. Comparado ao mmWave, não usa rádio e não detecta através de materiais; depende de linha de visada. Comparado à câmera RGB, reduz detalhe identificável, mas a matriz e o histórico ainda revelam comportamento. O princípio é a radiação térmica emitida pelos objetos. O detector de infravermelho distante mede energia na faixa de aproximadamente 7,5–14 µm em muitos produtos. A lente, frequentemente de silício ou material especial, define o campo. Vidro comum é opaco nessa banda; colocar o sensor atrás de uma janela de vidro impede a medição. Plásticos específicos podem transmitir. O MLX90640 usa pacote TO‑39 e requer abertura adequada. A temperatura medida depende da emissividade. Pele e tecidos possuem emissividade alta, próxima de 0,95–0,98, mas metal polido reflete o ambiente. Uma superfície quente pode aparecer diferente. O sensor também mede sua própria temperatura para compensar. Correntes de ar sobre o pacote, sol incidindo na carcaça ou aquecedores próximos causam deriva. O algoritmo precisa construir background e detectar contraste. Uma pessoa a 33 °C num ambiente a 22 °C é fácil; em ambiente a 32 °C, o contraste é menor. Cobertores reduzem. O campo de visão e a altura definem o tamanho dos pixels no chão. Uma matriz 32×24 com 110° pode cobrir sala, mas cada pixel representa área grande e mistura objetos. Uma lente estreita melhora resolução angular numa zona menor. A taxa de atualização varia de 0,5 a 64 Hz em alguns sensores. Taxas altas aumentam ruído e processamento. Para presença, 2–8 Hz pode bastar. O bus I²C transporta dados brutos e calibração. O microcontrolador precisa ler, compensar e filtrar. O código do fabricante é importante. Erros de endian, refresh e emissividade produzem. A alimentação e o pull-up I²C precisam atender. O sensor pode consumir dezenas de mA e aquecer; o layout deve separar fontes de calor. A janela precisa ficar limpa. Condensação e poeira alteram. O algoritmo de ocupação pode usar threshold de temperatura, blobs, tracking, modelos estatísticos ou aprendizado. Precisa ser treinado e testado com sol, pets, aquecedores, TV, forno e cortinas. Um gato pode gerar blob. A altura e o tamanho ajudam, mas não garantem. Para queda de idosos, uma matriz baixa pode detectar mudança de forma, porém não é dispositivo médico sem validação. A automação deve combinar com outros sensores. Em controle HVAC, a contagem pode ajustar vazão, mas a qualidade do ar continua medida por CO₂ e outros sensores. Em segurança contra incêndio, uma matriz pode alertar aquecimento, mas não substitui detector de fumaça e norma. A vantagem central é obter presença e distribuição térmica sem imagem de alta resolução. A limitação é a informação térmica ambígua e dependente do ambiente. Processamento local, sem gravação da matriz, melhora privacidade. O sistema pode publicar apenas occupied, count e zone, descartando frames. A retenção precisa ser definida. A calibração de fábrica não significa exatidão de câmera térmica profissional. A óptica, a carcaça e a compensação do produto final influenciam. Um sensor de 1 °C de precisão típica não mede febre a distância com confiabilidade. O critério de escolha é presença, campo, privacidade e robustez, não marketing de “IA térmica”.
- AMatriz FIR e pixel térmicoCada pixel absorve radiação e gera sinal relacionado à diferença de temperatura entre a membrana e o substrato. O MLX90640 possui 768 pixels; o Grid‑EYE, 64. A calibração de offset e sensibilidade fica em memória. O processamento usa dados de Ta e VDD. Pixels defeituosos podem ser corrigidos. A resolução espacial é baixa, mas suficiente para blobs. O NETD, como 0,1 K em condições específicas, indica ruído equivalente, não exatidão absoluta.
- BLente e campo de visãoLentes FIR feitas de silício ou materiais poliméricos especiais focam 8–14 µm. Campos de 55×35°, 110×75° e outros existem. A lente define quantos graus por pixel. A altura transforma isso em área. Para contar pessoas, o campo deve permitir separação. Para cama, uma lente estreita pode ser melhor. Vidro comum bloqueia. A janela do produto final deve ser qualificada e não tocar a lente.
- CCompensação térmica e emissividadeO sensor mede sua temperatura interna. O algoritmo compensa offset, ganho e ambiente. A temperatura aparente do objeto depende da emissividade e da radiação refletida. Para presença, usa-se contraste, não metrologia absoluta. Sol aquecendo a carcaça causa gradientes. Fontes de calor na PCB precisam ficar afastadas. Um ventilador soprando muda. O produto deve estabilizar após ligar, às vezes por minutos.
- DProcessamento de blobs e trackingFrames passam por correção, filtro temporal, background subtraction e segmentação. Clusters acima do ambiente formam pessoas prováveis. O algoritmo pode contar, localizar e medir movimento. Pets, radiadores e janelas solares são falsos alvos. Modelos precisam de zonas e exclusões. A taxa e o filtro equilibram latência e estabilidade. O sistema deve expor confiança e timeout, não apenas booleano. A ocupação pode permanecer por alguns minutos após perda do blob.
- EInterface e privacidadeI²C é comum entre sensor e microcontrolador. O host publica apenas eventos por Zigbee, Matter, MQTT ou Wi‑Fi. Processar localmente permite descartar frames. Se frames forem enviados, criptografia e retenção são necessárias. A matriz não é visualmente identificável como câmera, mas ainda pode revelar postura e atividade. O produto deve informar. A rede não precisa receber dados brutos para acender luz.
- APosição e oclusãoO sensor precisa ver a pessoa. Móveis altos, portas e divisórias bloqueiam. Instalação no teto oferece visão, mas a cabeça e ombros podem ser pequenos. Parede oferece perfil, porém objetos ocultam. Escolha o campo e teste. Para cama, cobertores reduzem contraste. Para sofá, o encosto oculta. Um segundo sensor ou mmWave complementa. Não colocar atrás de vidro.
- BAmbiente térmico dinâmicoSol entrando, aquecedor, forno, lareira, ar-condicionado e piso radiante mudam o background. O algoritmo deve adaptar lentamente. Adaptação rápida pode absorver uma pessoa parada. Lenta gera falsos eventos após sol. Zonas e sensores de estado ajudam. A carcaça não deve receber sol. Testes precisam cobrir estações. Um ambiente com temperatura próxima à pele reduz contraste.
- CLimites de uso clínico e segurançaA matriz não é termômetro médico nem detector de incêndio certificado. Distância, emissividade e resolução impedem. Pode indicar anomalia, mas precisa de sensor apropriado. Para queda, a taxa e o algoritmo precisam ser validados; falsos negativos existem. A automação deve notificar com linguagem de probabilidade e usar botão ou sensor adicional. Não tomar decisão de emergência apenas pelo blob.
- DPrivacidade e retençãoMesmo sem rosto, padrões de cama e banheiro são sensíveis. Processe localmente, publique apenas estado e contagem, e descarte frames. Se for necessário diagnóstico, retenha por tempo curto e com consentimento. O usuário deve saber que existe percepção térmica. Acesso administrativo é protegido. Atualizações do algoritmo não devem ativar upload sem decisão. O dado de ocupação também revela rotina.