Sensor de Condutividade da Água (TDS/EC)
Diferentemente de um sensor de vazão, o sensor TDS/EC não mede quantidade de água: aplica uma excitação alternada a eletrodos e calcula condutividade em µS/cm ou mS/cm. O valor pode ser convertido em TDS por um fator empírico, frequentemente entre 0,5 e 0,7. A escolha depende da faixa, da constante de célula e da compensação de temperatura. A limitação é que dois sais com igual TDS podem produzir condutividades diferentes, e incrustação ou polarização altera a leitura.
Ao contrário de um medidor de vazão, que quantifica volume por tempo, o sensor de condutividade da água mede a capacidade do líquido de transportar corrente iônica. A sonda possui dois, quatro ou mais eletrodos expostos ao meio, ou emprega acoplamento indutivo sem contato direto. O circuito aplica tensão alternada para reduzir polarização e eletrólise, mede corrente e calcula condutância. A geometria dos eletrodos é representada pela constante de célula K, expressa em cm⁻¹. A condutividade elétrica é obtida multiplicando a condutância pela constante. As unidades usuais são µS/cm e mS/cm. Como a mobilidade dos íons varia com a temperatura, o instrumento mede ou recebe temperatura e normaliza a leitura, frequentemente para 25 °C. O chamado TDS, em mg/L ou ppm, geralmente é uma estimativa derivada: TDS ≈ EC × fator. O fator depende da composição. Soluções ricas em NaCl, bicarbonatos ou fertilizantes não usam exatamente a mesma relação. Portanto, o sensor não identifica quais substâncias estão presentes. Ele informa uma propriedade elétrica global. Em casa inteligente, a sonda pode monitorar piscinas, aquários, hidroponia, osmose reversa, água de reposição, irrigação, reservatórios e sistemas de tratamento. Em uma piscina, a condutividade ajuda a acompanhar salinidade num clorador salino, mas o fabricante do clorador define a faixa. Em osmose, comparar entrada e permeado permite calcular rejeição aproximada: 1 − EC_saida/EC_entrada. O resultado só é válido com temperaturas, fluxos e estabilidade comparáveis. Em hidroponia, EC orienta concentração de nutrientes, mas não informa equilíbrio entre nitrogênio, potássio e outros íons. O pH precisa ser medido separadamente. A sonda sofre incrustação, biofilme, bolhas e contaminação. Uma bolha entre eletrodos reduz a área molhada e altera a leitura. Instalação em fluxo contínuo com câmara e orientação adequada melhora. Eletrodos de grafite, platina, aço inox ou ligas têm compatibilidades distintas. Sondas de dois eletrodos são simples e adequadas a faixas moderadas, mas a resistência de interface influencia. Sondas de quatro eletrodos separam corrente e tensão, ampliando a faixa. Sensores indutivos toleram meios muito condutivos e sujos, porém são mais caros e exigem condutividade mínima. O transmissor pode fornecer 0–10 V, 4–20 mA, Modbus, SDI‑12, UART ou I²C. Módulos baratos de hobby costumam expor tensão analógica e dependem de calibração. O cabo da sonda faz parte da célula; não deve ser alongado sem especificação. A excitação e o circuito precisam de isolamento quando o líquido possui outras sondas, bombas, aquecedores ou aterramentos. Correntes de fuga produzem erro. A automação deve aguardar estabilização, compensar temperatura e verificar plausibilidade. Leituras abruptas podem indicar dosagem, bolha, desconexão ou interferência. Alarmes precisam de média e histerese. Calibração usa padrões rastreáveis de condutividade, como 1413 µS/cm ou 12,88 mS/cm, conforme a faixa. O padrão não deve ser contaminado. A célula é enxaguada, estabilizada e calibrada. A periodicidade depende da sujeira e da criticidade. Um sensor TDS de consumo que mostra “ppm” sem informar fator e temperatura é útil para tendência, mas não deve ser tratado como análise química. Em aplicações potáveis, a medição não substitui microbiologia, metais, turbidez ou conformidade. O critério de escolha é a grandeza necessária: EC direta, TDS estimado ou salinidade calculada, dentro de uma faixa e com método de calibração definido.
- ACélula de dois ou quatro eletrodosEm sondas de dois eletrodos, o mesmo par injeta corrente e mede a resposta. A polarização e a resistência de contato limitam a faixa. Em quatro eletrodos, os externos injetam corrente e os internos medem tensão com alta impedância, reduzindo o efeito da interface. A escolha depende de 0–2000 µS/cm, dezenas de mS/cm ou faixa mais ampla. A constante K=0,1 atende baixa condutividade; K=1 é geral; K=10 atende alta condutividade, como salmoura. Esses valores são referências, e o fabricante define a faixa.
- BExcitação alternada e condicionamentoA eletrônica aplica AC em frequência apropriada para evitar eletrólise. Amplitude alta produz polarização; baixa reduz relação sinal-ruído. O circuito mede corrente e fase, calcula condutância e filtra. Em módulos simples, a saída analógica depende da tensão de alimentação e do ADC. Em transmissores, a conversão é interna. A alimentação isolada reduz loops com bombas, cloradores e outras sondas. O firmware precisa detectar sonda aberta, curto e saturação.
- CCompensação de temperaturaA condutividade da maioria das soluções aquosas cresce cerca de 1,5–3% por °C, dependendo do sal e da concentração. Muitos instrumentos usam coeficiente configurável, por exemplo 2%/°C, e referenciam a 25 °C. Um coeficiente errado cria erro sistemático. A sonda pode integrar termistor Pt1000, NTC ou sensor digital. A resposta térmica precisa acompanhar o líquido. Em fluxo variável, a temperatura deve ser medida no mesmo ponto.
- DTransmissor e integraçãoSaídas 4–20 mA, 0–10 V e Modbus permitem integração a CLP, Home Assistant via gateway, BMS ou controlador de piscina. O valor deve levar unidade e temperatura de referência. Em Modbus, registre escala, registrador e endianess. Em 4–20 mA, 4 mA pode representar 0 µS/cm e 20 mA a faixa máxima. O controlador não deve aplicar uma conversão diferente da configurada. Alarmes de sonda e calibração também precisam ser expostos.
- ECâmara de fluxo e materiaisA sonda pode ficar imersa ou em célula de passagem. A câmara controla velocidade, bolhas e temperatura. O material — PVC, PEEK, vidro, aço, grafite, platina — precisa resistir ao meio. Em piscina, cloro e sal atacam metais inadequados. Em hidroponia, fertilizantes depositam. A sonda deve ser removível sem esvaziar o sistema quando possível. Válvulas de isolamento e bypass facilitam. O volume morto influencia tempo de resposta.
- ACalibração na faixa realUse padrão próximo da operação. Uma sonda de água purificada calibrada apenas em 12,88 mS/cm pode ter incerteza maior em 10 µS/cm. Padrões absorvem CO₂ e contaminam. Não devolva solução ao frasco. Enxágue com água adequada e seque sem esfregar eletrodos delicados. Registre lote, temperatura, data e slope. Se a constante calculada muda muito, limpe ou substitua. A automação deve lembrar calibração, não tentar corrigir desvio sem padrão.
- BTDS não é análise químicaO fator de conversão precisa ser declarado. EC de 1000 µS/cm pode ser mostrada como 500, 640 ou 700 ppm conforme fator. Comparar dois medidores com fatores diferentes gera falsa divergência. Para osmose, use EC diretamente ou configure o mesmo fator. Para saúde e potabilidade, análises laboratoriais continuam necessárias. O sensor não detecta contaminantes neutros, microrganismos ou compostos específicos. Um valor baixo não garante água segura.
- CInterferência elétrica e aterramentoCloradores salinos, bombas com VFD, aquecedores e outras sondas podem injetar correntes. A célula precisa de isolamento e cabeamento separado. Nunca aterre um eletrodo por conveniência. O shield é conectado conforme o fabricante. Em aquário, correntes de fuga também são risco de choque e precisam ser corrigidas. Se a leitura muda quando uma bomba liga, investigue a instalação antes de filtrar o dado.
- DSujeira, bolhas e fluxoBiofilme e incrustação mudam a constante. Bolhas isolam. Instale a sonda numa orientação que permita saída de ar, com fluxo dentro da faixa. Evite jato que cause cavitação. A limpeza usa ácido fraco ou método especificado, considerando material. Uma leitura estável pode estar errada. Compare com padrão e tendência. Em piscinas, não instale imediatamente após dosagem concentrada sem mistura, pois a sonda verá picos.