Elétrica

Borne de Terra

Em quadros com trilho DIN, o borne de terra conecta o condutor PE à estrutura ou ao barramento de proteção por uma ligação de baixa impedância. É identificado em verde-amarelo e dimensionado pela seção do condutor, corrente de falta e requisitos da IEC 60947-7-2. Na prática, facilita distribuição e teste de continuidade. A ressalva é que contato mecânico com o trilho só é válido quando o conjunto foi projetado e instalado para isso; pintura, corrosão ou trilho isolado anulam a função.


Definição Técnica

Em quadros de automação e distribuição, o borne de terra é o ponto modular destinado à conexão dos condutores de proteção. Ele possui identificação verde-amarela e mecanismo que estabelece continuidade com o trilho DIN ou com um barramento PE por ligação aprovada. O objetivo é reunir carcaças, fontes, blindagens e equipamentos ao sistema de proteção, criando caminho de baixa impedância para correntes de falta e equipotencialização. O borne não é neutro e não conduz corrente funcional em condições normais, salvo pequenas correntes de fuga e alta frequência. A conexão ao trilho só é válida quando o borne, o trilho, a fixação e a ligação do trilho ao PE fazem parte de um sistema adequado. Um trilho pintado, anodizado, corroído ou montado em suporte isolante pode não garantir. Em painéis maiores, o trilho recebe ligação explícita ao barramento de terra, e o borne utiliza pé metálico serrilhado para contato. A seção do borne precisa aceitar o condutor. A capacidade térmica e dinâmica deve suportar a corrente de falta até a proteção atuar. O parafuso ou mola precisa de força confiável. O condutor flexível recebe ilhós quando recomendado. A entrada e a saída de PE não devem ser interrompidas por fusível, chave ou relé. Bornes de terra podem possuir múltiplos níveis e conexões para blindagem, mas a blindagem de EMC e o PE de segurança têm requisitos próprios. Em VFDs, a blindagem costuma usar conexão 360° e o PE separado. A automação pode monitorar continuidade em manutenção, mas não em operação por um simples estado digital. Ensaios de continuidade e impedância são necessários. A identificação clara evita usar o borne errado. O quadro deve manter separação entre PE, N e sinais.

A IEC 60947-7-2 define requisitos para bornes de condutor de proteção. A ABNT NBR 5410 trata da identificação verde-amarela, continuidade do PE, equipotencialização e proibição de dispositivos de interrupção no condutor de proteção.

🔧 Nota de Engenharia
Nunca usar o trilho DIN como PE sem uma ligação e um sistema de bornes verificados. O condutor de proteção não deve receber fusível, chave ou seccionamento independente.
Parâmetros Relacionados
Seção de conexão
0,2–120 mm² ou mais, conforme família
Bornes de automação usam 0,5–6 mm²; alimentadores, valores maiores. A seção do PE segue o dimensionamento normativo e a corrente de falta. O borne precisa aceitar o condutor e o terminal. Ilhós duplo só quando permitido. O comprimento de decapagem e torque são do catálogo. Um borne pequeno não deve ser usado como redução improvisada do PE principal.
Resistência de contato
ordem de µΩ a mΩ
A conexão deve apresentar baixa resistência. O valor depende de corrente de ensaio e método. Oxidação e aperto aumentam. A medição de continuidade usa instrumento adequado, frequentemente com corrente de ensaio definida. Um multímetro com bip pode não detectar conexão marginal. Para segurança, verifica-se conforme norma e procedimento. Termografia sob falta não é método normal.
Corrente suportável
centenas de ampères a kA por tempo curto
O borne precisa conduzir a corrente de falta até disjuntor ou fusível abrir. A especificação pode indicar corrente de curta duração. A capacidade depende de seção e trilho. Um borne nominal de sinal não serve. O conjunto PE precisa ser coordenado. A corrente de falta é calculada. A continuidade não pode depender de um parafuso de montagem casual.
Cor de identificação
Verde-amarelo
A combinação é reservada ao condutor de proteção em instalações. Bornes PE usam essa cor. O azul-claro é neutro. Marcadores adicionais identificam circuito. Não usar verde-amarelo para sinal. A identificação precisa permanecer visível. Em cabos com outra cor em instalação antiga, a correção segue procedimento e norma, não apenas fita improvisada quando proibido.
Pontos de Atenção em Automação
  • A
    Cria caminho confiável para a corrente de falta
    Se uma fase toca a carcaça de uma fonte ou painel, o PE conduz corrente suficiente para a proteção atuar. Um borne frouxo aumenta tensão de toque. A baixa impedância é requisito. O caminho inclui condutor, borne, trilho, barramento e eletrodo conforme esquema. Cada conexão é testada. A automação não substitui. Um sensor pode alertar porta aberta, mas a proteção contra choque é passiva e instantânea.
  • B
    Padroniza a distribuição de PE no painel
    Cada equipamento recebe um borne identificado. Isso evita empilhar vários fios num parafuso. Pontes e barramentos compatíveis distribuem. O diagrama mostra. A manutenção isola circuitos sem romper o PE. O quadro pode ter borne para cabo de campo e ligação à barra principal. A organização reduz erros. A reserva de bornes facilita expansão. O custo é pequeno em relação à segurança e ao tempo de diagnóstico.
  • C
    Ajuda a controlar EMC e equipotencialização
    Fontes, VFDs e filtros precisam de PE curto. O borne oferece ponto. Para alta frequência, fios longos possuem indutância; tiras e conexões 360° podem ser necessárias. O PE de segurança continua. A blindagem pode ser conectada a borne específico de blindagem, não confundida. Um aterramento “em estrela” para sinais e uma malha de EMC podem coexistir conforme projeto. A solução precisa de engenharia.
  • D
    Permite ensaios e manutenção rastreáveis
    Marcadores identificam origem. O técnico mede continuidade de cada ramal. O torque e a inspeção seguem plano. Bornes de mola reduzem manutenção em vibração; parafuso exige controle. Corrosão e umidade precisam de proteção. O histórico de ensaio demonstra conformidade. Uma conexão que parece firme pode ter alta resistência. O teste é objetivo. O painel não deve ser energizado sem verificar PE.
Conexões de proteção
Parafuso
Borne PE aparafusado
Usa pressão por parafuso e pé metálico ao trilho. Exige torque correto e inspeção conforme ambiente.
Mola
Borne PE push-in
Mantém força por mola e agiliza instalação. O condutor e o ilhós precisam estar na faixa especificada.
Multinível
Distribuição compacta de PE
Agrupa múltiplos pontos com identificação. A corrente e a separação de níveis precisam ser verificadas.
Blindagem
Borne de conexão de shield
Faz contato amplo com blindagem para EMC. Não substitui o condutor PE do equipamento, salvo projeto explícito.
Proteção e continuidade
ReferênciaFaixa / NormaAplicação típica
IEC 60947-7-2Bornes PERequisitos de continuidade, corrente e construção para bornes de proteção.
ABNT NBR 5410Condutor de proteçãoIdentificação, dimensionamento, continuidade e equipotencialização.
IEC 60204-1Painéis de máquinasCircuito de proteção, bornes e ensaios de continuidade.
IEC 60445IdentificaçãoPrincípios de identificação de terminais e condutores.