- Project July coloca um pequeno servidor no próprio June Oven e elimina a dependência da nuvem encerrada.
- A segunda geração já tem controle, pareamento local, receitas, câmera a cerca de 15 fps e Home Assistant.
- A primeira geração deve funcionar, mas ainda não foi testada; a terceira está bloqueada por limitações de hardware.
- O projeto é independente, gratuito, comunitário e ainda está em fase inicial.
O problema era um forno bom preso a um servidor morto#
Quando a nuvem da June foi desligada, o metal, as resistências e a tela continuaram no lugar. O que sumiu foi a parte conectada. O Project July ataca exatamente essa dependência: instala um servidor pequeno dentro do próprio forno e faz o aparelho responder localmente às mesmas chamadas que antes viajavam para a infraestrutura da empresa.
Há um precedente importante por trás disso. O June Oven foi vendido como eletrodoméstico conectado premium, com câmera e reconhecimento de alimentos. Depois que a Weber comprou a June em 2021 e descontinuou a linha, os serviços online acabaram. O Project July nasceu de proprietários que se recusaram a aceitar que um servidor desligado transformasse hardware funcional em versão reduzida de si mesmo.
O que já funciona em outubro#
Na segunda geração, o projeto lista pareamento local, pré-aquecimento, alteração de temperatura, cancelamento, timers, programas de cozimento e receitas restauradas. A câmera interna transmite perto de 15 quadros por segundo, bem acima do fluxo aproximado de 1 fps do aplicativo antigo. O vídeo fica na rede da casa.
A integração com Home Assistant já funciona em fornos reais e expõe liga/desliga, modos de cocção, temperatura atual e alvo, progresso, sensores de pré-aquecimento e conclusão, sonda de alimentos e câmera sob demanda. Em 4 de outubro, o projeto atualizou também um cartão de dashboard próprio. Não é uma gambiarra só para terminal.
Quem já tem o forno precisa aceitar o risco de early release#
A parte menos bonita é a instalação. O processo envolve abrir o forno, iniciar um computador por USB e alterar o software do aparelho. O instalador guiado ainda está em andamento. A primeira geração é considerada provável de funcionar, mas não foi testada; a terceira está bloqueada por limites de hardware. Isso não é atualização oficial da Weber, nem procedimento coberto por suporte do fabricante.
Para quem consegue executar o processo, a recompensa é rara: um eletrodoméstico volta a operar sem conta, sem assinatura e sem servidor de terceiros. O Project July transforma um caso de obsolescência de nuvem numa demonstração bem concreta de por que controle local deveria ser requisito de projeto, não bônus escondido no menu.
O projeto continua com cara de resgate comunitário, não de firmware oficial da Weber. Quem depende do forno para funções básicas deve separar as duas coisas: assar continua possível sem a nuvem original, enquanto câmera, receitas e recursos conectados retornam apenas na medida em que o servidor alternativo consegue reproduzi-los. O instalador guiado ainda está em desenvolvimento.


