O que você vai precisar
Passo a passo
1. Crie ou revise as pessoas da casa
Em Configurações, Pessoas, confira se cada morador tem uma entidade person. Não confunda pessoa com usuário de login. Vincule o device_tracker do celular correto a cada pessoa.
Dica: Use nomes naturais: pessoa.joao, pessoa.maria. Automação com nome claro dá menos manutenção.2. Configure zonas úteis
Crie zonas para Casa, Trabalho, Escola e locais que realmente entram em automação. Defina coordenadas e raio com folga realista para GPS.
Dica: Zona demais vira ruído. Comece com duas ou três.3. Ajuste permissões no app Companion
No celular, permita localização em segundo plano. No Android, revise economia de bateria do app. No iOS, confirme permissão de localização contínua e atualização em segundo plano.
Dica: Se o app dorme, a casa descobre chegada atrasada.4. Crie automação de chegada com condições
Use estado da pessoa mudando para home como gatilho. Acenda luz externa se for noite, desligue alarme se houver confirmação segura e ajuste clima se alguém estiver a caminho.
Dica: Para segurança, combine geofencing com outro sinal.5. Crie automação de saída com atraso
Quando todas as pessoas ficarem not_home por 5 minutos, desligue luzes, reduza climatização e arme modo ausente. O atraso filtra oscilações de GPS.
Dica: Nunca arme alarme no mesmo segundo em que o último celular sai da zona.
Quando a casa deve entender que a família saiu: no portão, na esquina ou depois de 300 metros? Essa pergunta parece detalhe. Não é. Ela decide se o alarme arma cedo demais, se a luz acende com atraso ou se o ar-condicionado liga quando alguém só passou de carro na rua de trás.
Mito comum: basta criar a zona Casa e pronto. A realidade é mais chata. O Home Assistant depende do rastreador do celular, da entidade person, das permissões do app e do raio da zona. A documentação oficial descreve pessoas como entidades que podem ser ligadas a rastreadores e usadas em automações de chegada e saída; ou seja, pessoa e usuário não são a mesma coisa.
“A zona resolve tudo”#
Zona é só o perímetro. Se o raio for pequeno demais, o GPS oscila e a pessoa parece sair e voltar sem sair. Se for grande demais, a casa considera alguém presente antes do portão. Para apartamento em rua estreita, 100 a 150 metros costuma funcionar melhor que 25 metros. Para casa em condomínio, 200 metros pode fazer sentido.
“O celular sempre atualiza na hora”#
Não atualiza. Android e iOS economizam bateria com gosto. No app Companion, permissões de localização em segundo plano, sensores de localização e otimização de bateria precisam estar revisados. Sem isso, o Home Assistant só descobre que alguém chegou quando o celular acorda. Às vezes, tarde demais.
“Toda automação de presença deve ser imediata”#
Para destrancar porta, nunca. Para ligar luz externa, pode. Para armar alarme, use atraso e condição: ninguém em casa por 5 minutos, portas fechadas e nenhum movimento interno recente. Geofencing é ótimo para contexto, não para decisão crítica sem confirmação.
“Pessoa e usuário são a mesma coisa”#
Usuário é login. Pessoa é presença. Uma pessoa pode ter um ou mais device_trackers: celular principal, tablet com GPS, roteador, BLE. O Home Assistant combina esses rastreadores para decidir o estado. Misturar usuário administrativo com rastreamento da família deixa o sistema confuso e mais exposto.
“O melhor gatilho é sempre entrar ou sair da zona”#
Às vezes, mudança de estado da entidade person é mais limpa. Em outras, gatilho de zona dá mais precisão. Para casa, eu prefiro entidade person mudando para home ou not_home. Para escola, trabalho e mercado, zona específica ajuda a criar regras de aviso e chegada.
O bom geofencing é discreto: acende a entrada, prepara a casa e arma segurança sem transformar cada deslocamento em relatório. Comece com duas zonas, Casa e Trabalho ou Escola, raio entre 100 e 200 metros, e atraso de 5 minutos para decisões de segurança.


