- Infracommerce informou crescimento de 37% nas vendas de automação doméstica no primeiro semestre de 2026, contra igual período de 2025.
- O recorte cobre operações atendidas pela própria Infracommerce e não deve ser confundido com o mercado brasileiro inteiro.
- Produtos com automação, programação ou conectividade apresentaram ticket médio até 15% maior que modelos convencionais nas operações analisadas.
- Esses itens já representam 22% do faturamento ou dos pedidos das categorias acompanhadas.
- Robôs aspiradores aparecem como um dos exemplos mais visíveis do avanço da automação no e-commerce.
A Infracommerce divulgou em 31 de agosto um número que ajuda a medir a disposição do consumidor de pagar por conveniência: nas operações de e-commerce atendidas pela empresa, as vendas de produtos relacionados à automação doméstica cresceram 37% no primeiro semestre de 2026 ante o mesmo período de 2025. A mesma base mostra ticket médio até 15% superior para itens automatizados ou conectados e participação de 22% no faturamento ou nos pedidos das categorias analisadas.
O dado de 37% vale para o Brasil inteiro?#
Não. Essa é a primeira ressalva necessária. Os números são das operações atendidas pela Infracommerce, empresa que presta serviços de comércio digital a marcas e varejistas. Eles não equivalem a uma pesquisa censitária do varejo nacional nem permitem afirmar que todo o mercado brasileiro de smart home cresceu exatamente 37%. O recorte é relevante porque observa vendas reais em uma operação grande de e-commerce, mas precisa ser lido como indicador, não como tamanho oficial do setor.
Essa distinção evita inflar o mercado com um número que parece mais abrangente do que é. O próprio material atribui os dados às operações analisadas. Em uma indústria ainda fragmentada entre marketplaces, varejo físico, importação e integradores, nenhum único operador captura todo o consumo doméstico conectado.
Por que o ticket 15% maior importa?#
O ticket médio até 15% superior sugere que compradores estão aceitando pagar prêmio por automação, programação ou conectividade quando percebem benefício. Isso não prova que todo produto smart gera margem maior; categorias e mix influenciam a média. Mas mostra que o preço mais alto não está impedindo a conversão dentro da base analisada.
Para fabricantes, o dado muda a forma de vender. Um robô aspirador conectado não deveria ser apresentado apenas por potência. Mapeamento, agendamento, retorno automático à base e integração com aplicativo precisam ser demonstrados como tempo poupado. Em geladeiras e lavadoras, o argumento passa por energia e programação. Em iluminação, por cenas e automação. A função conectada precisa virar benefício mensurável.
Robô aspirador virou a vitrine mais fácil da automação#
A própria divulgação cita robôs aspiradores como exemplo visível. Eles condensam vários elementos de smart home em um único produto: sensores, mapeamento, navegação, horários, aplicativo e operação autônoma. O consumidor consegue enxergar a proposta sem precisar entender Zigbee, Matter ou automações condicionais. A casa limpa enquanto ninguém está usando o aparelho diretamente.
Essa clareza explica por que robôs ajudam a popularizar a categoria. Uma tomada inteligente exige que o usuário imagine a automação; um robô demonstra autonomia sozinho. O desafio para outras categorias é tornar o ganho igualmente concreto. “Conecta ao Wi-Fi” deixou de ser argumento suficiente.
22% de participação mostra que o conectado saiu do nicho em algumas categorias#
Segundo a Infracommerce, itens com automação, programação ou conectividade já representam 22% do faturamento ou dos pedidos nas categorias analisadas. Um em cada cinco, em termos aproximados, é uma participação grande demais para ser tratada apenas como curiosidade de early adopter. Mas o indicador mistura categorias e duas métricas — faturamento ou pedidos — conforme o recorte, por isso não deve ser convertido em participação de mercado única.
Para varejistas, essa penetração justifica melhorar páginas de produto. Compatibilidade com Alexa, Google Home, SmartThings, Matter ou aplicativo próprio precisa aparecer de forma clara. Também aumenta a importância de informar se existe assinatura, armazenamento local e tempo de suporte. Quanto mais consumidor comum entra, menos ele tolera surpresa depois da compra.
O crescimento também expõe o problema da fragmentação#
Mais dispositivos conectados significam mais contas, aplicativos e protocolos dentro da mesma casa. O avanço de Matter tenta reduzir essa fricção, enquanto hubs como SmartThings, Home Assistant e Tapo H500 agregam marcas diferentes. Se o mercado cresce 37% em uma base de e-commerce e cada compra adiciona um novo app, a experiência pode piorar justamente quando a categoria escala.
A oportunidade é para quem simplifica. Fabricantes que adotam padrões abertos, permitem controle local e documentam integrações reduzem custo invisível de instalação. Integradores também ganham espaço porque casas com dez ou vinte dispositivos deixam de ser um conjunto de gadgets e passam a precisar de arquitetura.
Como o dado afeta quem já tem uma casa conectada#
Maior volume tende a trazer mais modelos, competição de preço e suporte local. Também pode acelerar certificações e estoque de peças. Para o usuário atual, isso significa que uma tecnologia antes sustentada por importação pode ganhar varejo nacional. O movimento recente de Samsung, TP-Link, LG e outras marcas em torno de SmartThings, ThinQ e Matter aponta nessa direção.
O efeito negativo possível é obsolescência mais rápida. Quando categorias crescem, fabricantes lançam famílias em ciclos menores. O consumidor precisa priorizar compatibilidade e prazo de atualização, não apenas recurso de 2026. Uma casa deveria durar mais que o aplicativo da temporada.
O próximo dado que o mercado brasileiro precisa é mais amplo#
A Infracommerce oferece um termômetro útil, mas o setor ainda carece de séries públicas que cruzem volume, faturamento, categoria e protocolo no varejo brasileiro inteiro. Também seria útil separar robôs, segurança, iluminação, eletrodomésticos e infraestrutura. Sem isso, empresas acabam comparando bases diferentes como se fossem o mesmo mercado.
Por enquanto, três números ficam como sinal: 37% de alta nas vendas da base analisada, ticket até 15% maior e 22% de participação em faturamento ou pedidos. Eles não descrevem todo o Brasil. Descrevem uma amostra comercial relevante em que automação já deixou de ser detalhe de ficha técnica.


